Motor 2.0 Turbo da Renault e Geely funciona debaixo d’água: entenda a tecnologia que pode mudar os híbridos

2.0 Turbo da Renault e Geely funciona submerso a 1,1 m. Veja como o B20 funciona, potência, eficiência e onde será usado.

Sumário

Um motor 2.0 Turbo que pode funcionar debaixo d’água

O 2.0 Turbo sempre foi associado a desempenho, torque e potência. Agora, a tecnologia ganhou uma característica que parece saída de um filme: o novo Horse B20, desenvolvido pela Horse Powertrain, pode continuar funcionando mesmo quando está completamente submerso em até 1,1 metro de água.

O propulsor foi desenvolvido pela empresa criada a partir da parceria entre Renault e Geely e tem como foco veículos eletrificados, principalmente SUVs e picapes destinados a situações severas de uso fora de estrada. Além da resistência à água, o B20 chama atenção pela eficiência térmica declarada de 48,4% e, por fim, potência entre 190 cv e 252 cv, dependendo da configuração.

E não se trata apenas de um protótipo distante da produção. Mas o motor já está sendo utilizado no Geely Galaxy Cruiser 700, um SUV híbrido plug-in destinado ao mercado chinês.

O que torna esse motor tão diferente?

O grande desafio de um motor a combustão diante da água está justamente na entrada de líquido em lugares onde deveria existir apenas ar, combustível, óleo e componentes elétricos protegidos.

Em uma travessia convencional, se a água alcançar a admissão e entrar nos cilindros, pode ocorrer o chamado calço hidráulico. Como a água praticamente não pode ser comprimida, o movimento dos pistões pode provocar danos graves ao motor.

No B20, a proposta é diferente. O conjunto foi desenvolvido desde o início para suportar imersão, com componentes elétricos e sensores selados, além de uma vedação específica entre o motor e a transmissão. O sistema também monitora as condições ao redor do propulsor e pode alterar a resposta do acelerador ou limitar a potência quando detecta uma situação de submersão.

Como funciona o 2.0 Turbo da Renault e Geely debaixo d’água?

A tecnologia não depende de simplesmente colocar uma “capa” impermeável no motor.

O Horse B20 utiliza uma arquitetura preparada para trabalhar em condições extremas. A classificação IPX8 indica resistência à imersão contínua dentro das condições especificadas pelo fabricante. No caso do B20, porém, a Horse estabelece a capacidade de funcionamento em até 1,1 metro de profundidade.

Sensores também têm papel importante nesse processo. Eles monitoram o ambiente e permitem que o gerenciamento eletrônico adapte o funcionamento do motor quando o conjunto está em uma situação de imersão.

Isso é particularmente interessante em veículos híbridos. Em vez de depender exclusivamente do motor a combustão durante uma travessia, o sistema pode combinar diferentes fontes de propulsão de acordo com a situação.

IPX8 significa que o carro inteiro é à prova d’água?

Não.

Esse é provavelmente o ponto mais importante para não interpretar a novidade de maneira errada.

A certificação está relacionada ao conjunto protegido, sendo assim, não significa que qualquer veículo equipado com o B20 possa simplesmente entrar em uma enchente de 1,1 metro sem riscos.

A profundidade segura de um veículo depende de vários outros elementos, como entradas de ar, sistema elétrico, bateria, transmissão, carroceria, vedação de componentes e, principalmente, das especificações determinadas pelo fabricante do veículo.

Portanto, o B20 aumenta significativamente a capacidade do conjunto motriz de enfrentar água, mas não transforma um SUV convencional em veículo anfíbio.

Potência do B20 chega a 252 cv

Apesar de toda a atenção em torno da resistência à água, o desempenho do novo 2.0 Turbo também merece destaque.

A Horse informa potência entre 140 e 185 kW, equivalente a aproximadamente 190 a 252 cv. O torque fica entre 300 e 380 Nm, ou aproximadamente 30,6 a 38,7 kgfm. Mas o motor pesa cerca de 130 kg.

É uma faixa bastante interessante para um propulsor desenvolvido para trabalhar integrado a sistemas híbridos.

O B20 foi pensado para aplicações HEV, PHEV e REEV, ou seja, pode ser utilizado em híbridos convencionais, híbridos plug-in e veículos elétricos com extensor de autonomia.

Isso mostra que a intenção da Horse não é simplesmente criar um motor resistente à água. Mas empresa está tentando desenvolver uma família de propulsores de combustão compatível com diferentes arquiteturas eletrificadas.

Eficiência térmica de 48,4% é outro grande destaque

Se a capacidade de funcionar debaixo d’água é a característica mais curiosa, a eficiência é provavelmente o aspecto mais importante do ponto de vista da engenharia.

Primeiramente, o B20 alcança uma eficiência térmica declarada de 48,4%.

Na prática, esse número representa a parcela da energia liberada pela combustão que consegue ser convertida em trabalho mecânico. Quanto maior a eficiência, menor tende a ser a quantidade de energia desperdiçada em forma de calor.

Para alcançar esse resultado, por fim, o motor utiliza ciclo Miller, injeção direta de alta pressão, pistões específicos e dutos de admissão projetados para gerar maior turbulência da mistura. Também há bloco de alumínio, coletor de escapamento integrado e sistema de arrefecimento duplo ativo.

A Horse compara o resultado com motores convencionais a gasolina, geralmente situados em patamares inferiores, e com o motor híbrido de ciclo Miller utilizado no Toyota Prius, próximo dos 40%. É importante, porém, tratar os 48,4% como número declarado pela fabricante, e não como uma medição independente.

Por que usar o ciclo Miller?

O ciclo Miller busca melhorar a eficiência do motor ao alterar o momento de fechamento da válvula de admissão.

O objetivo é aproveitar melhor a expansão dos gases durante a combustão, reduzindo perdas e melhorando o aproveitamento da energia produzida.

Em um motor turbo, essa estratégia pode ser combinada com a sobrealimentação para compensar parte da perda de enchimento causada pela alteração do ciclo.

No B20, portanto, o turbo não está ali apenas para produzir mais potência. Porém, ele também ajuda a criar uma combinação entre desempenho e eficiência.

B20 também foi projetado para enfrentar trilhas extremas

A capacidade de enfrentar água não é a única característica pensada para uso fora de estrada.

Segundo a Horse, o motor consegue manter potência em rampas de 100% de inclinação, o equivalente a aproximadamente 45 graus. Para suportar situações de carga elevada, o conjunto conta com sistema de arrefecimento duplo ativo.

Isso faz sentido principalmente quando pensamos em SUVs e picapes híbridos destinados ao off-road.

Em uma trilha pesada, o motor pode trabalhar por longos períodos sob carga elevada, enquanto o veículo enfrenta inclinações, lama, pedras e água.

A ideia é criar um sistema de propulsão eletrificado que não precise abrir mão da capacidade de enfrentar terrenos extremos.

Qual carro já usa o novo motor?

O primeiro veículo confirmado com o B20 é o Geely Galaxy Cruiser 700, também conhecido como Zhanjian 700 em determinados mercados.

O SUV utiliza o motor em um sistema híbrido plug-in, combinado com a transmissão híbrida de três velocidades 3DHT230, desenvolvida pela própria Horse Powertrain.

O Galaxy Cruiser 700 foi concebido para enfrentar condições severas e aparece como concorrente de modelos de grande capacidade fora de estrada, como o Land Rover Defender.

A escolha desse veículo para estrear o B20 não é por acaso. Porém é justamente nesse tipo de aplicação que a combinação entre eletrificação, torque e capacidade de travessia pode fazer mais sentido.

O motor pode realmente atravessar 1,1 metro de água?

O motor, sim, foi projetado para operar submerso nessa profundidade. O veículo inteiro é outra história.

Essa diferença precisa ficar muito clara.

Imagine um SUV equipado com o B20. Mesmo que o motor seja capaz de trabalhar com 1,1 metro de água, o motorista ainda precisa respeitar a profundidade máxima determinada para aquele veículo.

Uma bateria, uma central eletrônica, uma entrada de ar ou outro componente que não tenha a mesma proteção pode limitar a travessia muito antes de o motor atingir seu limite.

Por isso, a novidade deve ser interpretada como um avanço na resistência do sistema de propulsão, e não como autorização para enfrentar qualquer alagamento.

E o que isso muda para quem dirige no Brasil?

Aqui está uma das partes mais interessantes da novidade.

O Brasil possui regiões sujeitas a enchentes, alagamentos e fortes chuvas. Isso naturalmente levanta a pergunta: um motor como o B20 poderia reduzir os danos causados por esses eventos?

A resposta é: poderia ajudar, mas não elimina o risco.

Mesmo que o motor consiga permanecer funcionando submerso, um alagamento pode comprometer diversos outros sistemas do veículo. Além disso, tentar atravessar uma área alagada continua sendo uma decisão de alto risco.

Para o motorista comum, a regra mais segura permanece simples: não atravesse uma área quando não for possível avaliar a profundidade ou quando a água estiver em movimento.

A própria proteção do seguro também merece atenção. A Neon Seguros explica que danos provocados por enchente, alagamento ou outros eventos naturais dependem das coberturas contratadas na apólice. (Neon Seguros)

Seguro cobre carro atingido por enchente?

Pode cobrir, desde que a apólice tenha a cobertura adequada e o evento esteja dentro das condições contratadas.

A cobertura compreensiva normalmente contempla eventos naturais, como enchentes e alagamentos, além de outras situações previstas no contrato. Ainda assim, cada apólice possui regras próprias. (Neon Seguros)

Também existe uma diferença importante entre o carro sofrer um alagamento inesperado e o motorista deliberadamente assumir um risco elevado.

Em determinadas situações, insistir em atravessar uma área claramente alagada pode ser interpretado como agravamento do risco. Por isso, o ideal é conhecer as condições da apólice antes de precisar utilizá-la. (Neon Seguros)

Para entender melhor essa questão, vale conferir também o conteúdo da Neon sobre seguro para carro e alagamentos.

O B20 pode chegar ao Brasil?

Por enquanto, não há confirmação de aplicação do B20 em veículos vendidos no Brasil.

A Horse possui uma operação importante no país. A empresa mantém atividades no Paraná e produz motores utilizados por modelos da Renault, além de concentrar parte da engenharia de motores flex na região.

Isso torna o Brasil estrategicamente relevante para a empresa, mas não significa que o B20 esteja confirmado para produção nacional.

Até o momento, porém, a Horse não anunciou uma versão brasileira do B20 nem uma configuração específica para utilização com etanol.

Portanto, qualquer previsão de lançamento do motor em um Renault nacional neste momento seria especulação.

O que essa tecnologia revela sobre o futuro dos motores a combustão?

Talvez essa seja a parte mais importante da história.

Durante anos, a discussão sobre o futuro do automóvel foi dividida entre motores a combustão e carros elétricos. O desenvolvimento do B20 mostra que existe uma terceira possibilidade cada vez mais relevante: motor a combustão altamente eficiente trabalhando em conjunto com eletrificação.

Em um SUV pesado e destinado ao off-road, por exemplo, simplesmente aumentar a capacidade da bateria pode trazer ganhos, mas também adiciona peso.

Um sistema híbrido pode permitir que o motor a combustão opere em uma faixa mais eficiente enquanto os motores elétricos entregam torque instantâneo quando necessário.

Para veículos que precisam transportar muito peso, enfrentar trilhas e percorrer longas distâncias, essa combinação ainda pode ser bastante interessante.

O 2.0 Turbo não está “salvo” pela água

É importante não interpretar a novidade como uma tentativa de manter motores a combustão a qualquer custo.

A tecnologia faz sentido porque resolve problemas específicos de veículos eletrificados destinados a situações extremas.

O B20 é, na verdade, um exemplo de como o motor de combustão ainda pode evoluir mesmo em uma indústria que avança rapidamente em direção à eletrificação.

O futuro pode não ser simplesmente “combustão contra elétrico”. Em determinadas categorias, a combinação dos dois sistemas pode continuar sendo a solução mais eficiente.

Respostas rápidas sobre o 2.0 Turbo da Renault e Geely

O que é o motor B20?

É um motor 2.0 Turbo de quatro cilindros desenvolvido pela Horse Powertrain para aplicações híbridas e veículos destinados a condições severas de uso.

O B20 funciona realmente debaixo d’água?

Sim. Segundo a Horse, o motor possui proteção IPX8 e pode operar submerso em até 1,1 metro de água, dentro das condições especificadas para o conjunto.

Quantos cavalos tem o 2.0 Turbo B20?

A potência varia de aproximadamente 190 cv a 252 cv, dependendo da configuração. O torque fica entre 300 e 380 Nm.

Qual é a eficiência do B20?

A Horse declara eficiência térmica de 48,4% para o motor.

Qual carro usa o B20?

O propulsor já equipa o Geely Galaxy Cruiser 700, em uma configuração híbrida plug-in destinada ao mercado chinês.

O B20 é um motor elétrico?

Não. Trata-se de um motor a gasolina 2.0 Turbo de combustão interna, desenvolvido para trabalhar integrado a sistemas de propulsão híbridos.

Qual é a profundidade máxima de funcionamento?

A Horse informa capacidade de funcionamento submerso em até 1,1 metro.

Posso atravessar uma enchente de 1,1 metro com um carro equipado com B20?

Não necessariamente. A profundidade máxima do veículo depende de todos os seus sistemas, não apenas do motor. Entradas de ar, bateria, eletrônica, transmissão e carroceria também precisam suportar a condição.

O motor B20 será vendido no Brasil?

Até 10 de setembro de 2026, não há confirmação de aplicação do B20 em veículos vendidos no Brasil.

FAQ

Como funciona um motor 2.0 Turbo debaixo d’água?

O B20 utiliza componentes elétricos e sensores selados, vedação específica entre motor e transmissão e gerenciamento eletrônico capaz de adaptar a resposta do motor durante a imersão. A Horse informa certificação IPX8 e operação em até 1,1 metro de água.

O que significa IPX8 no motor da Renault e Geely?

IPX8 é uma classificação relacionada à proteção contra imersão em água. No B20, a Horse especifica a operação do conjunto em até 1,1 metro de profundidade.

O motor 2.0 Turbo da Horse é econômico?

A proposta é de alta eficiência. A fabricante declara 48,4% de eficiência térmica, resultado obtido com soluções como ciclo Miller, injeção direta e otimização do fluxo de admissão.

O B20 pode ser usado em carros híbridos?

Sim. O motor foi desenvolvido para diferentes arquiteturas eletrificadas, incluindo HEV, PHEV e REEV.

O motor que funciona debaixo d’água já está em produção?

Sim. O B20 já está sendo utilizado no Geely Galaxy Cruiser 700, embora sua aplicação inicial esteja concentrada no mercado chinês.

O B20 pode acabar sendo usado em carros da Renault?

É tecnicamente possível que a tecnologia seja aplicada a outros veículos, já que a Horse Powertrain desenvolve sistemas para diferentes fabricantes. Porém, até o momento, não existe confirmação de um modelo Renault específico com o B20 no Brasil.

Conclusão

O novo 2.0 Turbo B20 mostra que a evolução dos motores a combustão ainda está longe de terminar. A capacidade de continuar funcionando submerso em até 1,1 metro de água é impressionante, mas talvez seja apenas a parte mais chamativa de um projeto que também aposta em eficiência térmica, eletrificação e resistência para uso fora de estrada.

Com até 252 cv, torque de até 38,7 kgfm e eficiência térmica declarada de 48,4%, o propulsor mostra uma direção interessante para os híbridos que precisam entregar desempenho sem carregar baterias gigantescas.

Para o consumidor brasileiro, ainda não há uma aplicação confirmada do B20. Mesmo assim, a tecnologia ajuda a antecipar o que pode aparecer nos próximos anos: veículos híbridos mais eficientes, mais resistentes e preparados para situações que hoje ainda representam grandes desafios para a engenharia automotiva.

E, enquanto motores evoluem para enfrentar até água, o cuidado com o próprio carro continua sendo fundamental. Se você quer entender quais coberturas podem proteger seu veículo contra enchentes, alagamentos e outros eventos naturais, conheça as opções de Seguro Automóvel da Neon Seguros e faça uma cotação de acordo com o seu perfil.

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