O que realmente encarece o seguro auto?

O preço do seguro auto não é definido apenas pelo valor do carro. Dados do IPSA mostram que apenas 7 fatores explicam mais de 70% do valor do seguro, incluindo classe de bônus, CEP, idade do condutor, idade do veículo e tipo de uso. Entender esses pontos é essencial para evitar pagar mais do que o necessário e contratar um seguro adequado ao seu perfil.
O que realmente encarece o seguro auto?

Sumário

7 fatores que pouca gente explica (com dados reais)

Muita gente acredita que o seguro auto é caro apenas por causa do carro ou da idade do motorista. Mas a verdade é bem diferente.

Segundo o IPSA – Índice de Preços do Seguro de Automóvel, apenas 7 variáveis explicam mais de 70% do valor final do seguro, mesmo com questionários que possuem dezenas de perguntas.

Ou seja: o preço do seguro não é aleatório, nem decidido “no achismo”. Ele segue padrões estatísticos claros, baseados em risco real.

Neste artigo, você vai entender o que realmente encarece o seguro auto, com dados atualizados, exemplos práticos e explicações que normalmente não aparecem nas simulações online.

Antes de tudo: como o preço do seguro é calculado?

O IPSA mede quanto o seguro representa em relação ao valor do carro.
Exemplo prático:

  • Carro avaliado em R$ 50.000
  • IPSA de 4%
  • Seguro custa cerca de R$ 2.000 no ano

Isso permite comparar perfis diferentes de forma justa, independentemente do valor do veículo.

Em novembro de 2025, o IPSA geral do seguro auto ficou em 4,8%, o menor patamar da série histórica recente, indicando um mercado mais competitivo e previsível.

1) Classe de bônus: o fator que mais pesa no preço

Este é o fator número 1 na precificação do seguro.

A classe de bônus representa o histórico do motorista:

  • Vai de 0 a 10
  • Quanto mais anos sem sinistro, maior o bônus
  • Mais bônus = desconto direto no seguro

Motoristas que renovam o seguro por vários anos sem acionar a seguradora pagam muito menos, mesmo dirigindo o mesmo carro e morando no mesmo local.

Exemplo prático

Dois motoristas idênticos:

  • Mesmo carro
  • Mesmo CEP
  • Mesma idade

Quem tem bônus alto pode pagar 20% a 40% menos no seguro.

2) CEP do condutor: onde você mora pesa (muito)

O CEP é o segundo fator mais importante no preço do seguro.

O relatório mostra diferenças enormes entre regiões metropolitanas:

  • Rio de Janeiro: até 6,5% do valor do carro
  • Belém: cerca de 3,1%

Ou seja, o mesmo carro pode custar mais que o dobro no seguro, dependendo da cidade.

Dentro das cidades, a diferença também é grande:

  • Em São Paulo, a Zona Norte chegou a ser 46% mais cara que o Centro
  • No Rio, a Zona Norte foi 84% mais cara que a Zona Sul.

Isso ocorre por:

  • Roubo e furto
  • Frequência de sinistros
  • Custo médio de reparo na região

3) Valor do veículo: mais caro nem sempre significa seguro mais caro

Esse ponto surpreende muita gente.

Veículos mais caros nem sempre têm seguro mais caro proporcionalmente.
Segundo o IPSA:

  • Carros de R$ 31 mil a R$ 50 mil têm os maiores índices percentuais
  • Veículos acima de R$ 150 mil apresentaram índices abaixo de 3% em nov/25.

Por quê?

  • Carros populares são mais visados para roubo
  • Peças têm alta rotatividade no mercado ilegal
  • Frequência de sinistros é maior

4) Idade do veículo: carros mais velhos encarecem o seguro

Outro fator decisivo.

O relatório mostra que:

  • Carros zero km pagam cerca de 3%
  • Veículos com 6 a 10 anos chegaram a 6,7%
  • Diferença superior a 120% no preço do seguro.

Mesmo que o carro seja mais barato, ele pode:

  • Ter maior custo de reparo
  • Usar peças novas e originais
  • Ser mais visado para furto

5) Idade do condutor: experiência reduz risco

A idade do motorista é um forte indicador de risco.

Dados do IPSA mostram que:

  • Condutores de 18 a 25 anos chegam a pagar mais que o dobro
  • Motoristas acima de 56 anos têm os menores índices.

Comparativo real do relatório

Dois perfis idênticos:

  • Mesmo carro
  • Mesmo CEP
  • Mesmo valor FIPE

O motorista de 30 anos pagou 64,5% a mais que o motorista de 56 anos

6) Fabricante do veículo: custo de manutenção importa

Cada montadora possui:

  • Preço diferente de peças
  • Tempo de reparo distinto
  • Maior ou menor sinistralidade

Isso faz com que dois carros do mesmo valor tenham seguros bem diferentes.

Veículos com:

  • Peças caras
  • Reparos complexos
  • Baixa disponibilidade de peças

Tendem a ter seguros mais caros, mesmo sem serem premium.

7) Tipo de uso do veículo: uso diário encarece

O uso do carro influencia diretamente o risco.

O relatório aponta que:

  • Uso particular é o mais barato
  • Uso frequente aumenta exposição
  • Transporte por aplicativo encarece o seguro

Quanto mais tempo o carro passa na rua:

  • Maior chance de colisão
  • Maior desgaste
  • Maior risco de sinistro

Outros fatores que influenciam (mas pesam menos)

Embora não estejam no topo do ranking, também impactam:

  • Tipo de combustível (elétricos subiram para até 4,9%)
  • Região do país
  • Franquia escolhida (franquias reduzidas encarecem o prêmio)

Conclusão: o seguro é caro ou mal explicado?

O seguro auto não é caro por acaso.
Ele reflete risco real, comportamento, localização e histórico do motorista.

A maior diferença está em entender esses fatores antes de contratar.
Muitas pessoas pagam mais simplesmente por não ajustar:

  • Franquia
  • Perfil de uso
  • Modalidade correta

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