Os radares com IA em SP deixaram de ser apenas uma promessa tecnológica e começaram a entrar de vez na rotina dos motoristas. A nova fase da fiscalização usa câmeras inteligentes para identificar infrações que vão além da velocidade, como uso de celular ao volante e falta de cinto de segurança.
A mudança chama atenção porque não se trata só de instalar mais equipamentos na estrada. A ideia é fiscalizar comportamentos que, muitas vezes, passam despercebidos por radares tradicionais, mas estão diretamente ligados ao risco de acidentes.
Nos trechos Sul e Leste do Rodoanel Mário Covas, administrados pela SPMar, a tecnologia já começou a embasar autuações desde julho. Além disso, a concessionária planeja ampliar a estrutura para 82 equipamentos até o fim de 2026 e chegar a 120 até o fim de 2027.
Na prática, o motorista precisa entender uma coisa: o radar deixou de olhar apenas para a velocidade. Agora, ele também consegue enxergar o que acontece dentro do veículo.
Como funcionam os radares com IA?

Os radares com inteligência artificial funcionam de forma diferente dos radares comuns. Em vez de monitorar apenas a velocidade, eles usam câmeras de alta definição, sensores infravermelhos e sistemas treinados para reconhecer padrões de comportamento.
Quando o veículo passa pelo ponto monitorado, a câmera registra imagens do interior e do entorno do carro. Depois disso, a IA analisa sinais que podem indicar infração, como o motorista segurando o celular ou ocupantes sem cinto.
No entanto, a multa não nasce automaticamente da decisão da máquina.
A IA faz uma primeira triagem. Em seguida, as imagens são encaminhadas para análise de agentes responsáveis pela fiscalização. Só depois da validação humana a autuação pode ser emitida.
Esse detalhe é importante porque reduz a impressão de que o motorista será “multado por um robô”. A tecnologia identifica o possível flagrante, mas a confirmação depende de uma checagem feita por uma pessoa.
Quais infrações os novos radares conseguem flagrar?

Neste primeiro momento, os equipamentos em operação no Rodoanel estão voltados principalmente para três tipos de flagrante: motorista sem cinto, passageiro sem cinto e uso de celular ao volante.
Durante a fase de testes citada pela SPMar, um único equipamento registrou 7.297 veículos com algum tipo de irregularidade em 49 dias. Desse total, 3.335 casos envolviam motorista sem cinto, 1.956 eram passageiros sem cinto e 1.369 estavam ligados ao uso de celular ao volante.
Esses números mostram por que a fiscalização chamou tanta atenção. Não estamos falando de infrações raras ou pontuais. Pelo contrário, o teste revelou comportamentos bastante comuns no trânsito.
E há outro ponto relevante: a tecnologia pode ser calibrada para identificar outras condutas, dependendo do treinamento feito no sistema. Entre as possibilidades mencionadas estão braço para fora do veículo e transporte irregular de crianças, embora a aplicação dependa da configuração adotada pela concessionária e pelos órgãos responsáveis.
Onde os radares com IA já estão multando em São Paulo?

A operação mais comentada está nos trechos Sul e Leste do Rodoanel Mário Covas, sob responsabilidade da SPMar. Nesses pontos, o monitoramento começou em fase de testes e passou a apoiar autuações a partir de julho.
Além do Rodoanel, a tecnologia também já aparece em outros corredores importantes. No Sistema Anchieta-Imigrantes, por exemplo, radares com IA operam desde o começo de 2026 e identificam falta de cinto, uso de celular e excesso de velocidade.
Também há registros de testes e expansão em outras rodovias paulistas, como Raposo Tavares, Castelo Branco, Anhanguera e Mogi-Campinas, conforme informações divulgadas sobre concessionárias que vêm adotando esse tipo de fiscalização.
Ou seja, o Rodoanel é o caso que ganhou mais destaque agora, mas ele faz parte de uma tendência maior: a fiscalização eletrônica está ficando mais inteligente e mais abrangente.
Os 82 novos radares com IA vão ficar só no Rodoanel?
Pelo plano divulgado, a expansão da SPMar prevê 82 equipamentos até o fim de 2026 nos 105 quilômetros administrados pela concessionária nos trechos Sul e Leste do Rodoanel. Depois, a previsão é chegar a 120 equipamentos até o fim de 2027.
Isso significa que o Rodoanel deve concentrar uma parte importante dessa nova fase. Ainda assim, a tecnologia já está sendo usada ou testada por outras concessionárias em diferentes rodovias.
Para o motorista, o ponto principal é simples: não dá mais para tratar esse tipo de radar como algo isolado. A tendência é que câmeras com inteligência artificial passem a aparecer com mais frequência em corredores de alto fluxo, especialmente onde há histórico de acidentes ou infrações recorrentes.
A multa por radar com IA é automática?

Não. Esse é um dos pontos que mais geram dúvida.
O sistema usa inteligência artificial para detectar possíveis infrações, mas a autuação precisa passar por validação humana. As imagens são analisadas por agentes, que verificam se o flagrante é claro e se realmente mostra uma conduta irregular.
Se a imagem não for conclusiva, a multa pode não ser emitida. Um exemplo citado na cobertura é o caso de motorista com camisa escura, em que a câmera pode interpretar ausência de cinto, mas a imagem não permite confirmar a infração com segurança. Nessa situação, o registro pode ser descartado.
Portanto, a IA não substitui completamente o agente. Ela aumenta a capacidade de fiscalização, filtra possíveis flagrantes e ajuda a direcionar a análise humana.
Quanto custam as multas por celular e falta de cinto?
As infrações flagradas pelos radares com IA podem pesar no bolso e na CNH.
Usar ou manusear o celular enquanto dirige é infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e 7 pontos na carteira. Já deixar de usar o cinto de segurança é infração grave, com multa de R$ 195,23 e 5 pontos.
Além do valor, há um risco que muita gente ignora: os pontos acumulados podem levar a problemas maiores, principalmente para quem já tem outras infrações no prontuário.
Para motoristas profissionais, de aplicativo, entregadores e pessoas que dependem do carro todos os dias, esse tipo de multa pode ser ainda mais preocupante. Afinal, qualquer penalidade que comprometa a CNH também pode afetar a renda.
Por que os radares com IA preocupam tanto?
A preocupação não vem apenas da multa. Ela vem da sensação de que a fiscalização ficou mais difícil de “prever”.
Com radares tradicionais, muitos motoristas reduzem a velocidade perto do equipamento e depois voltam a dirigir de forma arriscada. Já os radares com IA miram comportamentos que acontecem dentro do veículo e podem ser registrados mesmo quando o motorista está dentro do limite de velocidade.
Isso muda a lógica da fiscalização.
Agora, não basta passar devagar pelo radar. Se o condutor estiver sem cinto ou com o celular na mão, a infração pode ser registrada da mesma forma.
Por outro lado, esse avanço também levanta discussões sobre privacidade, transparência e critérios de uso das imagens. Por isso, é importante que concessionárias e órgãos públicos deixem claro onde os equipamentos operam, quais infrações estão sendo monitoradas e como ocorre a validação dos registros.
A própria CET de São Paulo mantém uma página de fiscalização eletrônica com consulta aos pontos fiscalizados na capital, mostrando como a transparência sobre locais monitorados é parte importante desse tipo de operação.
Radares inteligentes aumentam a segurança ou só arrecadam mais?
Essa é a pergunta que muitos motoristas fazem.
Do ponto de vista da segurança viária, celular ao volante e falta de cinto são comportamentos de alto risco. O celular tira atenção, aumenta o tempo de reação e pode transformar poucos segundos de distração em acidente grave. Já o cinto continua sendo um dos itens mais básicos e eficientes de proteção dentro do veículo.
Portanto, quando a tecnologia mira esse tipo de conduta, o objetivo declarado é reduzir acidentes e educar motoristas.
Ao mesmo tempo, é natural que exista desconfiança. Afinal, multas eletrônicas sempre geram debate, principalmente quando a fiscalização cresce rápido.
A diferença é que, nesse caso, a discussão não deveria ser apenas “vai multar mais ou menos?”. A pergunta mais importante é: quantas pessoas ainda dirigem usando celular ou sem cinto, mesmo sabendo do risco?
Os dados de teste mostram que o problema existe. Em 49 dias, um único equipamento identificou milhares de situações irregulares. Isso indica que a fiscalização encontrou um comportamento que já estava acontecendo, mas era difícil de flagrar em grande escala.
Como evitar multa nos radares com IA?
A resposta parece óbvia, mas vale reforçar: a melhor forma de evitar multa é não criar a situação de risco.
Use o cinto antes de sair com o carro, confira se todos os passageiros também estão protegidos e deixe o celular fora do alcance enquanto dirige. Se precisar usar o GPS, programe a rota antes de sair ou pare em local seguro para mexer no aparelho.
Também vale redobrar a atenção em rodovias de alto fluxo. Como a tecnologia consegue operar 24 horas por dia e também usa infravermelho, dirigir à noite ou em baixa luminosidade não impede o registro das imagens.
No fim, os radares com IA só tornam mais visível algo que já deveria ser regra: dirigir com atenção, cinto afivelado e celular longe das mãos.
O que muda para motoristas de aplicativo e profissionais?
Para quem dirige todos os dias, a mudança é ainda mais importante.
Motoristas de aplicativo, taxistas, entregadores, caminhoneiros e profissionais que rodam por São Paulo precisam criar uma rotina mais cuidadosa. O risco não está apenas na multa isolada, mas na repetição.
Quem passa várias vezes por trechos monitorados e mantém hábitos ruins pode acumular penalidades rapidamente.
Além disso, motoristas profissionais costumam depender da CNH para trabalhar. Por isso, perder pontos por celular ou cinto pode virar um problema muito maior do que o valor da multa.
Nesse cenário, a tecnologia funciona quase como um alerta: hábitos pequenos, repetidos todos os dias, podem sair caro.
Radares com IA podem se espalhar por outras cidades?
Sim, essa é uma possibilidade real.
A tecnologia já está em uso ou em teste em diferentes rodovias, inclusive fora da capital paulista. Em Minas Gerais, por exemplo, há registros de rodovias com equipamentos capazes de identificar comportamentos semelhantes, como falta de cinto e uso de celular.
Como esses sistemas podem ser treinados para diferentes tipos de infração, a tendência é que novas aplicações apareçam nos próximos anos. Além do uso em rodovias, grandes cidades também podem ampliar o monitoramento inteligente em corredores, avenidas e áreas de tráfego intenso.
O avanço, porém, deve vir acompanhado de transparência. O motorista precisa saber quais condutas são fiscalizadas, como as imagens são analisadas e quais garantias existem para evitar autuações indevidas.
Conclusão
Os radares com IA em SP marcam uma nova fase da fiscalização de trânsito. Em vez de olhar apenas para a velocidade, a tecnologia passa a registrar comportamentos que aumentam o risco de acidentes, como dirigir usando o celular ou circular sem cinto de segurança.
Para o motorista, a mensagem é clara: a atenção precisa ser constante. Não basta reduzir perto do radar. É preciso mudar hábitos que parecem pequenos, mas podem gerar multa, pontos na CNH e, principalmente, acidentes.
E já que o trânsito está cada vez mais monitorado e imprevisível, vale também olhar para a proteção do seu veículo com mais cuidado. Na Neon Seguros, você pode comparar opções de seguro auto de acordo com o seu perfil, sua rotina e o uso real do carro. Assim, além de dirigir com mais atenção, você também mantém seu patrimônio protegido do jeito certo.
Perguntas Frequentes:
Radares com IA são equipamentos de fiscalização eletrônica que usam câmeras, sensores e inteligência artificial para identificar possíveis infrações de trânsito. Diferente dos radares tradicionais, eles podem monitorar comportamentos como uso de celular e falta de cinto.
Sim. Nos trechos Sul e Leste do Rodoanel Mário Covas, a tecnologia passou a apoiar autuações a partir de julho, depois de uma fase de testes realizada pela SPMar.
No caso do Rodoanel, os principais flagrantes são motorista sem cinto, passageiro sem cinto e uso de celular ao volante. A tecnologia também pode ser calibrada para reconhecer outras condutas, dependendo da configuração adotada.
Não. A IA identifica possíveis infrações e envia as imagens para análise. A autuação só é emitida depois da validação humana feita pelos agentes responsáveis.
Usar ou manusear o celular enquanto dirige é infração gravíssima, com multa de R$ 293,47 e 7 pontos na CNH.
Deixar de usar o cinto de segurança é infração grave, com multa de R$ 195,23 e 5 pontos na carteira.


