O Move Brasil entrou no radar de motoboys, mototaxistas e entregadores porque o governo anunciou mudanças importantes nas regras para quem trabalha com moto. A proposta reduz exigências antigas, simplifica a regularização da atividade e mexe diretamente com pontos que faziam parte da rotina de quem queria atuar formalmente no motofrete.
As medidas foram anunciadas junto ao programa de crédito para motoristas de aplicativo e taxistas, mas também trouxeram alterações específicas para motociclistas profissionais. Segundo o governo federal, a Medida Provisória nº 1.359/2026 criou a linha de financiamento para veículos novos sustentáveis e também atualizou regras para profissionais que usam motocicletas e motonetas no transporte de passageiros e entregas.
Na prática, o pacote reduz burocracias como idade mínima de 21 anos, tempo mínimo de habilitação, curso obrigatório e exigência de placa vermelha para determinadas atividades. A ideia do governo é facilitar a entrada de trabalhadores no setor e diminuir custos de formalização.
Mas a mudança também abriu debate. Para alguns, as novas regras facilitam a vida de quem depende da moto para trabalhar. Para outros, retirar exigências como curso específico pode gerar preocupação com segurança, formação e preparo no trânsito.
Então, afinal, o que muda com o Move Brasil para quem trabalha de moto?
O que é o Move Brasil para motoboys?

O Move Brasil é apresentado pelo governo como um pacote de medidas voltado à mobilidade, transporte remunerado e trabalhadores que dependem de veículos para gerar renda. Dentro desse contexto, uma parte das mudanças mira diretamente motoboys, mototaxistas e entregadores.
O ponto central é simplificar a atividade profissional com moto.
Até então, quem queria atuar no motofrete precisava cumprir exigências específicas, que podiam envolver idade mínima, tempo de habilitação, curso especializado, documentação e regularização do veículo. Em cidades como São Paulo, por exemplo, a atividade de motofrete exigia cadastro do condutor, licença específica e curso em escola autorizada pelo Detran.
Com a Medida Provisória, o governo passou a retirar parte dessas barreiras nacionais, principalmente aquelas que dificultavam a entrada formal de novos trabalhadores no setor. A Câmara dos Deputados informou que a MP simplifica regras para mototaxistas e revoga exigências de idade e tempo de habilitação.
As mudanças já valem, mas ainda dependem do Congresso
Como se trata de uma Medida Provisória, as regras entram em vigor imediatamente. No entanto, a MP ainda precisa ser analisada e convertida em lei pelo Congresso Nacional para continuar valendo de forma definitiva.
Esse detalhe é importante porque o trabalhador pode ver a regra começar a produzir efeitos agora, mas o texto ainda pode passar por mudanças durante a tramitação.
Quais regras o Move Brasil muda para motoboys?

A principal mudança é a redução de exigências para trabalhar com motofrete, mototáxi e entregas de moto.
Segundo a Câmara dos Deputados e veículos que acompanharam a publicação da MP, o texto elimina a idade mínima de 21 anos e a exigência de tempo mínimo de habilitação para a atividade. Antes, a regra exigia que o profissional tivesse pelo menos 21 anos e fosse habilitado na categoria A havia, no mínimo, dois anos.
Além disso, a MP também retira a obrigatoriedade do curso específico para motofrete. Esse curso havia sido criado para preparar motociclistas profissionais em temas como legislação, direção defensiva e gestão de risco, mas passa a deixar de ser uma exigência obrigatória em nível nacional.
Outro ponto relevante é o fim da exigência de placa vermelha para motofrete. Na prática, isso reduz custos e etapas burocráticas para quem precisava alterar a categoria do veículo para exercer a atividade.
Essas mudanças têm impacto direto no dia a dia de quem usa a moto como ferramenta de renda, principalmente entregadores de aplicativo, motoboys autônomos e profissionais que dependem da moto para circular diariamente.
Fim da placa vermelha: o que isso significa?
A placa vermelha sempre foi um dos símbolos da regularização profissional de veículos usados em atividade remunerada.
No caso dos motoboys, ela indicava que a moto estava registrada para uso profissional. O problema é que a troca de categoria do veículo envolvia custos, tempo e processos junto aos órgãos de trânsito.
Com o Move Brasil, o governo retira essa obrigatoriedade para motofrete. Assim, o profissional não precisa mais trocar a placa da moto apenas para exercer a atividade, reduzindo uma das etapas de regularização.
Isso pode facilitar a entrada de novos trabalhadores no setor, principalmente quem já tem moto própria e quer começar a trabalhar com entregas ou transporte remunerado.
Por outro lado, a mudança também exige atenção. A ausência da placa vermelha não significa ausência de responsabilidade. O motociclista continua precisando respeitar as regras de trânsito, manter a moto em boas condições e observar exigências locais que ainda possam existir durante a adaptação das normas.
Curso de motofrete deixa de ser obrigatório

Outro ponto que chama bastante atenção é o fim da obrigatoriedade do curso específico para motofrete.
Antes, o curso era uma exigência para o exercício regular da atividade em várias situações. Ele abordava temas importantes para quem trabalha sobre duas rodas, como direção defensiva, legislação, prevenção de acidentes e comportamento seguro no trânsito.
Com a nova regra, o curso deixa de ser obrigatório, mas isso não significa que perdeu importância.
Para quem trabalha todos os dias de moto, conhecimento técnico continua fazendo diferença. A rotina de entregadores e motoboys envolve trânsito intenso, pressão por tempo, longos deslocamentos e exposição maior a acidentes.
Portanto, mesmo sem obrigação legal, cursos de capacitação ainda podem ser úteis para quem quer trabalhar com mais segurança e profissionalismo.
Menos burocracia não elimina o risco
Essa é uma das discussões mais importantes sobre o Move Brasil.
A flexibilização reduz custos e facilita o acesso ao trabalho, mas a moto continua sendo um dos veículos mais vulneráveis no trânsito. Por isso, qualquer mudança que amplie o número de trabalhadores nas ruas também precisa vir acompanhada de atenção à segurança, fiscalização e orientação.
O ponto não é apenas permitir que mais pessoas trabalhem. É garantir que elas tenham condições de trabalhar com menos risco.
Move Brasil muda idade mínima e tempo de CNH
A MP também retira duas exigências antigas: idade mínima de 21 anos e tempo mínimo de dois anos de habilitação na categoria A.
Com isso, em tese, quem tem CNH A e idade mínima para conduzir motocicleta já pode atuar profissionalmente, sem esperar completar 21 anos ou cumprir dois anos de habilitação. A Câmara dos Deputados confirmou que a medida revoga essas exigências para a atividade.
Essa alteração pode abrir espaço para mais jovens entrarem no mercado de entregas e transporte por moto.
Ao mesmo tempo, ela tende a gerar discussão. Afinal, experiência no trânsito é um fator importante para quem trabalha profissionalmente com motocicleta, especialmente em grandes cidades.
Na prática, a nova regra reduz a barreira de entrada. Porém, o preparo do condutor continua sendo um ponto essencial para evitar acidentes e prejuízos.
O Move Brasil também cria crédito para motoristas?
Sim, mas essa parte do programa é voltada principalmente a taxistas e motoristas de aplicativo.
O governo federal anunciou uma linha de crédito de até R$ 30 bilhões para financiamento de veículos novos sustentáveis, como modelos flex, elétricos, híbridos flex ou movidos exclusivamente a etanol. Segundo o BNDES, a linha vale para veículos de até R$ 150 mil e será operacionalizada com apoio de instituições financeiras habilitadas.
Para participar, motoristas de aplicativo precisam ter cadastro ativo há pelo menos 12 meses e comprovar pelo menos 100 corridas no período, na mesma plataforma. Taxistas registrados e em atividade também entram no público-alvo da linha.
No caso dos motoboys, o governo também citou a intenção de desenvolver novas medidas, inclusive ligadas a financiamento para motocicletas. No entanto, essa parte ainda depende de novos acertos e não tem o mesmo formato consolidado da linha para carros.
O que ainda pode mudar para motoboys?
Além das regras já anunciadas, o governo indicou que pretende desenvolver novas iniciativas voltadas aos trabalhadores de moto.
Entre as ideias citadas estão pontos de apoio com banheiros, áreas de descanso e estrutura para carregamento de celular, além de discussões sobre proteção em caso de acidente de trabalho.
Essas medidas ainda precisam avançar para sair do campo das propostas e chegar ao dia a dia dos trabalhadores. Mesmo assim, mostram que o tema entrou com força na agenda pública.
O crescimento das entregas por aplicativo, o aumento da informalidade e a importância da moto como ferramenta de renda colocaram motoboys e entregadores no centro de uma discussão maior sobre mobilidade, trabalho e segurança.
O que muda na prática para quem trabalha de moto?
Na prática, o Move Brasil pode tornar mais simples começar a trabalhar com moto.
A retirada de exigências como placa vermelha, curso obrigatório, idade mínima de 21 anos e dois anos de CNH reduz custos e etapas burocráticas. Para quem está tentando entrar no setor, isso pode representar uma porta de entrada mais rápida.
No entanto, o trabalhador precisa acompanhar como cada estado e município vai adaptar seus procedimentos. Como o trânsito envolve regras nacionais e regulamentações locais, pode haver diferenças na aplicação prática durante a transição.
Também vale acompanhar a tramitação da Medida Provisória no Congresso. Como a MP ainda precisa virar lei, mudanças no texto podem ocorrer.
Conclusão
O Move Brasil muda pontos importantes para motoboys, mototaxistas e entregadores ao reduzir exigências que, durante anos, fizeram parte da regularização da atividade. O fim da placa vermelha obrigatória, a retirada do curso obrigatório, a queda da idade mínima de 21 anos e o fim do tempo mínimo de habilitação tornam o acesso ao trabalho mais simples.
Ao mesmo tempo, a discussão não termina na burocracia. Trabalhar de moto continua exigindo atenção, preparo, manutenção em dia e proteção adequada, principalmente para quem depende da motocicleta como fonte de renda.
Por isso, quem usa a moto todos os dias para entregas, deslocamentos ou atividade profissional também precisa pensar nos riscos da rotina. Na Neon Seguros, é possível comparar opções de seguro moto e entender quais coberturas fazem mais sentido para proteger a motocicleta, o bolso e a continuidade do trabalho em caso de imprevistos.
Perguntas Frequentes:
O Move Brasil é um conjunto de medidas do governo federal voltado à mobilidade e ao transporte remunerado. O pacote inclui crédito para motoristas de aplicativo e taxistas, além de mudanças nas regras para motociclistas profissionais.
Sim. A nova regra retira a obrigatoriedade da placa vermelha para motofrete, reduzindo uma etapa de regularização para quem trabalha com entregas de moto.
Pela nova Medida Provisória, o curso específico deixa de ser obrigatório em nível nacional. Mesmo assim, a capacitação continua importante para segurança e profissionalização.
A MP retira a exigência nacional de idade mínima de 21 anos. Com isso, quem já possui CNH A pode entrar na atividade sem cumprir essa regra anterior, respeitando as demais exigências legais.
Como Medida Provisória, as regras entram em vigor imediatamente. Porém, o texto ainda precisa ser analisado e aprovado pelo Congresso Nacional para virar lei definitiva.


